Precoce? Talvez.
David se surpreendeu ao ligar exatamente às seis da tarde e receber a resposta que queria. Amanhã mesmo passariam no hospital para acertas as coisas e tudo mais. Não era só interesse comercial obviamente, a preocupação com o próximo vinha muito à frente. Principalmente quando as idéias surgiam da cabeça de David, que sempre agira solidário com muitos.
O dia nasceu quente na perfeita Alemanha, as pessoas acordavam cedo para começar o trabalho. E não seria diferente na casa dos Kaulitz.
– Tom, acorda. – Bill com seu corpo magro sentado em cima da cama do irmão, o chacoalhava histericamente. – Acorda, anda cara não é tão ruim acordar.
– Vindo de você, acho que ainda estou dormindo. – murmurou.
– Se eu consegui acordar cedo, você também consegue. – tirou as cobertas. – Agora. Sai dessa cama!
Por desistência, Tom se levantou e fez a higiene matinal ainda caindo de sono. Os dois se encontrariam com David, Gustav e Georg no escritório do empresário. E de lá seguiriam para o hospital.
– Eu adoro crianças. – esclareceu Georg.
– Elas têm doenças.
– E o que isso muda Bill? – Georg pareceu ofendido. – Não são elas que apresentam perigo para nós. É o contrário.
– O Ge está certo. – apoiou Gustav.
– Não vou me pronunciar. – Tom se levantou e foi até a janela com o cigarro na mão.
– Negativo Kaulitz. Não vai fumar no meu escritório. – David se levantou e tirou o cigarro da mão dele.
– Tudo bem, não tenho nada contra crianças doentes. – Disse Bill se recostando no sofá.
Todos no carro de David seguiram para o hospital do outro lado da cidade. Não ia demorar tanto porque não chegava a ser dez horas ainda. No banco de trás, Gustav e Georg torravam a paciência de Bill, falando sobre o sorriso bobo que ele fazia ao tocar no assunto da menina que havia encontrado, e perdido.
– Cara, Bill você é muito otário. – Brinca Ge.
– Isso eu acho que ele já sabe. – interrompe Tom sentado no banco da frente.
– Ele disse que o destino vai juntar os dois. – debocha Gustav.
– Coitado do meu irmão.
Mesmo não se pronunciando sobre as brincadeiras, Bill se mantinha confiante afinal, ele acreditava em toda essa baboseira de amor a primeira vista e amor verdadeiro. Do mesmo jeito que macumba só pega em quem acredita. No amor pode ser assim não é? [não é]
Chegaram ao local e pularam para fora do carro. As brincadeiras sobre o coração do Bill secaram e tudo mais.
– Se eu fosse vocês, deixava o David entrar na frente. Tem a filha da Julia, que é nossa fã. Ela quase me matou ontem. – Bill começou a rir.
– Nesse caso, eu vou na frente. – Tom passou por todo mundo e entrou no hospital.
– Não citei a parte que ela é uma criança né?
– Bill! – resmungou David.
Entram os quatro atrás de Tom. Logo Julia os encontra e os oferece a sala para conversar.
– Só falta o Tom.
– O menino de tranças? – pergunta Julia.
– Sim
– Ele subiu ao segundo andar.
Tom entra na sala com uma menina de mais ou menos quatro anos de idade no colo. Os olhinhos azuis cintilavam acompanhando o sorriso da brincadeira.
– Vejo que conheceu a Megan.
– Pois é, ela é esperta. Na verdade, nem fui eu que a encontrei.
– Ela te achou. – Julia se auto respondeu.
– Tom, senta aí que nós precisamos conversar.
– Positivo. – Tom se sentou ainda segurando a criança em seu colo.
Houve um pequeno debate sobre onde usar o dinheiro, e como isso beneficiaria as crianças, a coordenação e a banda. Na maior parte da conversa, Julia dava a proposta, David avaliava e os garotos diziam se sim ou não. Assim passaram-se uns bons quarenta e cinco minutos. Megan dormia no colo de Tom que parecia uma mãe de primeira viagem, sem saber o que fazer direito;
– Olha, é melhor eu levar essa garotinha lá pra cima. – Se levantou segurando firme a menina em seus braços.
– Ae Tom, já da pra ser papai.
– Quando eu voltar, Georg...Falaremos sobre isso.
Subiu as escadas devagar e cuidadosamente. Ao parar na porta do berçário se perguntava qual das camas era a de Megan. Seus devaneios foram interrompidos.
– Valeu por pegar ela sem avisar. – reclama uma menina atrás dele.
– Desculpa. Onde eu a deixo?
– Comigo. – estendeu os braços e pegou Megan.
– Qual é o seu nome?
– Chris.
– Eu sou o Tom. – o próprio avalia a garota. – Eu te conheço?
– Não sei... Eu não te conheço. – solta o cavalinho.
– Eu tenho uma banda, sou guitarrista. Tem certeza que não me conhece?
Chris demorou um pouco encarando Tom, mas não manifestou nenhuma diferença.
– Tenho. Com licença.
Já que ficou sozinho no corredor, Tom voltou para o andar de baixo onde era esperado.
– Por que demorou? – perguntou Bill.
– Não sabia com quem deixar a garotinha, aí apareceu outra garota lá e pegou ela. Uma tal de Chris.
– Ah, então conheceu minha filha. – Julia comentou feliz.
– Pois é.
Um pouco de silêncio.
Chris entra na sala de cabeça baixa, ao levantar o olhar vê seis pares de olhos a encarando e fica vermelha. Cada um com uma expressão diferente.
– Mãe... – falta a voz. – Deixa pra lá, depois eu falo. – saiu da sala sem ao menos se despedir.
Talvez ninguém ligasse para a saída envergonhada de Chris além de Julia. Certo?Não.
Como eu disse antes, o destino tarda. Oh se tarda, mas não falha. E não pense você que ele resolve as coisas. Ele proporciona as fórmulas, cabe a você descobrir o resultado.
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