– Olá Tom. – Sorriu.
– Hã... Jéss? – O que essa traíra está fazendo aqui?
– Vai dizer que não está surpreso?
– Obvio que estou. – Tentei me tranquilizar – O que você está fazendo aqui? Lembrou-se que tem dois filhos?
– Me lembrei oras! – Se sentou no sofá da minha casa. Minha casa!
Essa garota tinha muita cara de pau. Depois que teve a Luise, não demorou dois anos e ela vazou daqui de casa e eu tive que dar um jeito. Eu tive que dar: O JEITO!
Teve um dia...
– Pai, como vamos nos virar sem a mamãe? – Thomas, eu não sei.
– Olha... Não sei ainda. Mas temos que conseguir! Eu arrumo a sala, você arruma seu quarto. Depois eu faço o almoço, a Luise seca a louça enquanto você lava. Eu arrumo os uniformes da escola e ajudo com os temas, serve?
– Não vai conseguir fazer tudo isso.
– Verdade, esquece. A gente vai se ferrar mesmo.
[Thomas] Minha mãe de volta, acho que vai ser legal. E eu nem sei se ela voltou para ficar. A cara do pai não foi uma das melhores. Ele parece ter ficado um tanto... Incomodado. Mas não é para menos. Ela deixou ele com uma mão na frente outra atrás, me lembro de tudo. Fui triste, mas já que o Tom estava chorando como uma menina, eu tentei não demonstrar fraqueza e acalmá-lo.
A Luise é a dona de ser parecida com a minha mãe... As vezes era lamentável.
Teve um dia...
Eu estava fazendo meu tema de geografia, quando ouço um barulho na escada. Era a Luise descendo com um salto grande, vestida com as roupas da minha mãe. O que uma criança de cinco anos faz assim?
– Luh, tira essa roupa. Se o pai te ver assim ele tem um ataque do coração.
Nem precisei falar. Ouvi a porta de cara se fechando e Tom veio na minha direção com as compras do mercado.
– Thomas! Você deveria ter ido comigo no mercado. Isso é pesado. – Antes de largar as coisas na bancada olhou para Luise que estava no corredor como uma alma penada vestida com as coisas da mamãe. Tom gritou e deixou as coisas caírem no chão.
– Calma pai!
– Jesus do céu! O que possuiu o corpo da sua irmã?! – Fez o sinal da cruz. – por que ela está vestida que nem a sua mãe meu pai do céu? – Por que ele estava com um tapo de baseball na mão!?
– Pai, larga isso. A Luise só tem cinco anos!
– Não é a sua irmã naquele corpinho pequeno filho. Não vai nessa.
– Pai, me da colo. – Luise se aproximou mais, e o Tom ficou SM saber o que fazer.
– Se afasta de mim menina! Cadê minha filha!? Você tah Louca! – Nem preciso dizer que a Luise começou a chorar.
- o que está acontecendo aqui!?- Amém, o Tio Bill. – Deus! Tom, por que está com um taco de baseball na mão? E por que a Lu está chorando? – pegou a mana no colo.
– Bill! Olha o jeito que ela está vestida. Ela incorporou ai!
– Não estou ouvindo isso...
Claro que ainda houve muito bate boca. Até o Tom aceitar que a Luise era menor e sentia falta da nossa mãe. Eu não estou muito satisfeito com a volta da minha mãe. Fui para o meu quarto e fiz questão de ficar lá.
[Jéss] Ok, não me senti bem vindo até depois de tanto tempo. Mas eu senti falta deles, de todos eles. Mas explicar tudo é mais difícil do que parece, e sei que o Tom não vai me perdoar. Ele é muito fresco e intimamente sentimental. Acho que só eu sei disso.
Teve um dia...
– Tem que fazer força querida. – A médica tentava falar calma. Mas é difícil ter um bebê!
– Tom, segura minha mão antes que eu desmaie. – Pedi.
Ele estava ao meu lado de pé. Não consegui distinguir o que estava acontecendo com ele. As vezes parecia estar com medo, as vezes rindo... Não sei.
– Jéss eu to passando mal. – Disse.
– Tom! Eu vou ter o bebê agora. Como você vai passar mal? – Só oq eu me faltava.
– Minha barriga está embrulhando, minha visão ta ficando turva, meus pés fraquejando. Credo! Estou morrendo.
– TOM KAULITZ CALA A BOCA! EU ESTOU GRÁVIDA AQUI! EU ESTOU MAL AQUI! Culpa sua que não soube usar camisinha agora agüenta! Droga, você quer vir dar uma de gay frangote logo agora? Se toca! Eu vou ter o bebê! Passei nove meses com esse negócio pesando, eu fiquei gorda! Agora cala a boca! – Eu estava gritando na sala de parto. Os médicos pararam para ficar olhando. Tom estava chorando de desespero já. Ai que ódio!
– Desculpa Jéss. – Segurou minha mão novamente.
– Tudo bem. Agora... TIREM ESSE BEBÊ DE MIM PELO AMOR DE DEUS QUE TA DOENDO! – A médica voltou a me acalmar, e não funcionou. O bebê estava custando a vir, e quando começou a cooperar, o Tom fez questão de DESMAIAR EM CIMA DE MIM!
O Thomas nasceu no meio dessa confusão. Mas da para levar em consideração... Era o primeiro bebê que eu e Tom tínhamos na vida. E nessa época nem éramos namorados de verdade.
– Jéss. – Lá vem ele.
– Fala Tom.
– Agora que as crianças não estão mais aqui, me fala. O QUE VOCÊ VEIO FAZER AQUI!?
– visitar vocês ora! – Precisava gritar?
– Há há... Visitar? Oh minha filha, você ficou sete anos longe. SETE ANOS! Não foram dias, nem meses... SETE ANOS! Ok, que em sete anos você ficou bem mais gostosa que antes, e que com certeza eu te pegaria de novo agora, mas não muda o fato que você foi uma vagabunda traíra na hora que me deixou sozinho com duas crianças! – Esse era o Tom que eu conheço.
– Tenho meus motivos.
– Me diga então. Por que eu não achei sentido. Minha vida fui dura sabia? Banda, fãs, filhos, ser pai de família, e sem falar nas minhas idas e vindas de uma noite que eu não deixei de lado só por que tinha filhos.
– tom, você não mudou em nada.
– Claro que mudei. Sou mais responsável, sou mais bonito, mais rico, mais gostoso, mais...
– ok! Eu entendi. Se é tão responsável e adulto... Por que tem um rabo de raposa no seu bumbum? – Eu não segurei o riso. Tipo... Ele estava com um baita rabo de raposa na bunda e com a mão na cintura. Estava muito fofo.
– Ah... É que antes eu e a Luise estávamos brincando. – Tirou o rabo. – Mas pra falar a verdade... Até de rabo de raposa eu fico bonito. – Botou o rabo de volta no bumbum.
– Ah Tom... Você não muda mesmo.
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