A Lara não é a pessoa mais normal para se falar no telefone. Por isso ela desligou logo após eu pegar a pizza. Realmente o que ela disse sobre falar com pessoas que não conhecemos, está certo. Não é nada certo eu falar com uma pessoa que eu não conheço. Ela pode muito bem estar mentindo. O que seria chato, porque ela é uma pessoa legal, tirando a parte que parece bizarra ao adivinhar tudo.
Assisti ao filme, guardei e arrumei as coisas, tomei um banho e fui me deitar. O Tom com certeza não voltaria, ou... Voltaria.
– Ah que merda. – Passou por mim e foi para o quarto. Tipo, simplesmente entrou e subiu, que nem o ar que entrou pela porta. Que estranho... Tem coisa aí!
Subi atrás obviamente!
– Com licença. – Entrei e fui catando onde aquela coisa se meteu. – Tom!?
– Ah, o que você quer? – Saiu do banheiro e foi para a cama.
– O que aconteceu? – Me sentei ao lado dele. Cara, o Tom brigou com alguém, só pode!
Normalmente ele é mais paciente que eu. Eu sou o escandaloso e sem paciência.
– Eu ando com problemas... Só! – Tampou a cabeça.
Eu ia, e vou continuar o assunto. Mas meu celular começou a tocar. Atendi rápido.
– Alô?
– Bill, é a Lara. – Agora não...
– Ah, Oi. Olha só, estou com um problema com o Tom agora. Podemos nos falar depois?
– Sim. Mas o que aconteceu com ele? Posso saber ou é pessoal...
– Eu ainda não sei. Eu estou esperando ele contar.
– AH. Mas se tiver algo haver com o fato dele conseguir gostar de alguém, se precisar de ajuda é só chamar.
– Ok. – Também, agora me lembro daquelas coisas que ela disse por engano. – Ah, depois tenho que te perguntar uma coisa.
– Tudo bem, tchau. – Desligou.
Tom começou a rir.
– Era uma garota?
– Sim...
– QUEM!? – Quase pulou em mim.
– O nome dela é Lara. A garota que me ligou por engano...
– Sabia que não era engano!
– Na verdade era sim. – Ele pareceu confuso. – Ela pensou que eu fosse um maluco a fim de se aproveitar. E ela ficou brava por eu pensar que ela era nossa fã.
– Interessante. – Voltou a se tapar. – Ok, quer saber o que aconteceu?
Eu poderia achar qualquer coisa do Tom. Tudo mesmo, mas quando ele disse que estava mal por ter brigado com uma garota, isso me assustou. Sei lá, primeiro achei que ela tinha debochado dele, ou xingado ele. No mais teria o Tom broxado? Não, pior que não. Pelo o que entendi a garota ficou com ele, mas não quis ir para um lugar “mais reservado”. O que para mim seria reação de qualquer garota que se valorize, porque convenhamos, o Tom... Pra ficar com o Tom assim, só sendo muito mulher sem amor próprio. Ok, eu amo meu irmão, mas vamos largar as cartas na mesa.
– E, me fala o que ela te disse? Se lembra?
– Claro que lembro Bill. Como vou esquecer aquelas atrocidades que a garota disse? – Olha o drama.
– Então me fala!
– Aham. Nós estávamos nos beijando, ai ela disse que ia embora. Ai eu perguntei: “Como vai embora?”. Ela pareceu ficar irritada sabe, e disse: “Olha Kaulitz, não sou uma vagabunda não. Eu não vou dormir com você. Cara se liga! A vida não é só isso. Já pensou em olhar para uma garota no dia seguinte e saber o nome dela? Você nem sabe o meu nome e eu te conheço a três dias. E nesses três dias com certeza não foi só eu que você supostamente conheceu. Cara, você tem que evoluir!” – Essa menina é esperta.
– Tom, ela está certa.
– Não! Não estão não. Eu sei o nome dela, é Carol.
– Ah, e porque não disse pra ela?
– Porque ela foi embora! Xingou-me e foi. Então... Não faço mais nada. E eu fiquei com ela esses três dias. Olha, eu não fico com uma e mais outra no mesmo dia, senão eu realmente esqueço o nome delas! – Pelo amor de deus, como eu posso ser tão fofo e ele assim? Não sou convencido, sou realista!
– Olha, eu acho que você deveria pensar no que essa garota disse. Ela está certa. – Me levantei e caminhei até a porta. – Espero que você valorize essa. Pode ser sua futura...
– Cala boca desgraça! – Tocou os tênis na minha direção. – Bicha enrustida!
– Viu como eu estou certo. Você está gostando dela, não está? Que coisa mais clichê Tom! Só porque ela te negou? Meu deus parece filme! – Mano, não estou acreditando.
– Saí do meu quarto Bill! Eu te odeio! Saí! – Nossa que criancice. – Saí agora!
– Tudo bem. – Fechei a porta e saí.
Fui para o jardim com os cachorros. Eles são tão fofos! Mas eu canso, então não deu dez minutos e eu voltei para casa. Preparei um lanche pra mim e para o Tom. Levei o lanche para o andar de cima, bati na porta e entrei. Claro que ele estava dormindo, mas que se dane. Já era umas onze e meia. Eu vivo comendo, não sou magro porque tenho anorexia!
– Tom, acorda!
– Ai que capeta, o que você quer? – tampou a cabeça.
– Trouxe um lanche, você mal comeu.
– Deixa ai depois eu como.
– Ok. Boa Noite. – Três, dois, Um...
– Bill? – Já estava saindo, mas esperei.
– O que foi?
– Eu não gosto de ninguém, ok? Isso é sério, nada de uma garota para Tom Kaulitz.
– Ok – Saí de lá antes que ele irasse de novo.
Escovei meus dentes e fui dormir. Mas eu queria contar isso para alguém. E eu ando muito alone. Então...
– Alô? – Atendeu com uma voz cansada.
– Oi, é o Bill.
– Caramba mano, já são onze da noite. Por que está me ligando?
– Olha, desculpa. Não sabia que dormia cedo.
– Tudo bem. É que não entendo porque raios tu ficas me ligando.
– É que não tenho com quem conversar.
– Ta, quer atenção? Dou-te amanhã. Mas me deixa dormir, tenho que acordar cedo!
– Ok. Que coisa Lara!
– Qual é? Nem de conheço! – Desligou.
Realmente, preciso fazer novos amigos. Ou... Ir atrás do Gustav e do Georg.
É... Vou atrás dos G’s!
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