A noite correu bem após o espasmo mental de Bill. Estava aí o problema e solução, como argumentou Tom. Os dois foram dormir cedo, já que Bill resolvera que voltaria até o hospital para falar com Julia sobre as verbas. A noite calma e sem chuva e ventos maldosos foi embora, até o sol inundar as margens das janelas e chegar ao interior do quarto dos recém-acordados. Isso tudo parece até começo de filme, não?
– Mein Gott, acordar as oito? – murmurava o Kaulitz mais novo enquanto escovava os dentes.
Depois de se arrumar e arrumar suas coisas, Bill tomou café sozinho na cozinha já que Tom ainda dormia em pleno silêncio em seu quarto. Só em pensar que ia voltar novamente ao lugar onde havia encontrado a tal garota, deixa Bill um pouco mais a fim de sair. Foi o que fez. Novamente sem carro, pegou um táxi até a estação de trem e seguiu de trem até o bairro onde tinha o hospital. Só tinha um problema... O hospital.
Parado na frente do grande portão de ferro que ostentava a placa escrito o nome do próprio, Bill ficou. Ficou por lá uns quinze minutos até que alguém o chamou.
– Bill?
– Sim. – respondeu se virando para ver quem era.
– Você está procurando alguém?
– Ah! Julia... – aproximou e a cumprimentou. – Eu vim falar com a senhora.
– Comigo? – Pareceu surpresa. – Tudo bem então, vamos entrar.
Bill evitou um pouco mais, mas percebeu que não tinha como não entrar. Seguiu Julia até o final do corredor onde havia o acesso até os outros andares.
– É melhor ficarmos neste andar mesmo. – abriu a última porta do corredor. – Já percebi que você tem receio de hospital e lá em cima estão às crianças.
– Bom é que... – ficou sem argumentos.
– Tudo bem, não estou dizendo que não gosta delas. Eu te entendo. – se sentou atrás de uma mesa. E apontou a outra cadeira. – Vai se sentar?
– Ah sim. – Julia o esperou. – É que bom, a senhora sabe... Ou melhor, percebeu que eu sou famoso, não é? – ela assentiu. – Pois bem, eu tenho uma banda e um dos projetos que tínhamos em mente, era doar verbas para algum lugar que realmente precisasse, então...
– Você quer doar verbas para o hospital? – perguntou sorrindo.
– Exato.
Uma menina morena de pele escura entrou na sala com uma bandeja em mãos. Ao encarar o ser sentado na cadeira entrou em estado de choque e a bandeja com café foi totalmente largada no ar.
– AI MEU DEUS. – gritou. – Bill Kaulitz!
– Juliane! O que é isso. Fale baixou. – Julia a reprendeu. – Isso é um hospital.
– Mãe! Você conhecia Bill Kaulitz e não me disse? – tentou se acalmar. – Bill, posso... Posso tocar em você. Só pra ver se é de verdade mesmo.
– Juliane!
– Não está tudo bem. – depois de ficar assustado com o comportamento da menina, Bill se levanta. – Se quiser um autografo e um abraço eu dou. Não tem problema.
Como uma criança totalmente escandalosa, Juliane abraçou o corpo magrelo de Bill com tanta força, que quase matou-o asfixiado.
– A desculpa, é a emoção. – disse o soltando. – Mãe ma alcança o papel e caneta ai.
Depois de conseguir respirar, Bill deu o autógrafo e se sentou de novo. Julia ajudou a filha a limpar a sujeira do chão e voltou a falar com sobre o assunto antigo.
– Sinceramente, seria muito boa a ajuda de vocês.
– Então... Passamos amanhã aqui com o manager para falar direito com a senhora, certo?
– Certo. Mais alguma coisa?
– Aquela menina é sua filha?
– Sim, por quê?
– Ela é... Tipo... Ela não se parece com a senhora. – e não parecia mesmo. Julia era branca com cabelos castanhos claros e Juliane era morena, com cabelos cacheados e olhos cor avelã.
– Juliane é minha filha mais nova. Eu a adotei, os pais eram imigrantes do Brasil, suponho.
– Humn... Então até amanha. – se levantou.
– Até amanha.
Botou os óculos e saiu.
Dentro da sala, Julia arrumava os papeis em cima de sua mesa.
– Mãe? – Chamou a filha mais nova entrando.
– Que mico você em fez passar filha.
– Desculpa, mas aqui era o ultimo lugar que eu ia imaginar ver ele.
– Eu olho o pôster desses meninos todo o dia na parede, e nunca percebi.
– É a velhice. – debochou.
– Cadê a tua irmã?Ela tem que cuidar desses papeis pra mim.
– Está lá em cima com as crianças.
No andar de cima, parecia um maternal, uma creche, melhor falando. Era muitas crianças.
Enquanto algumas estavam deitadas em seu mundinho infantil, outras corriam e gritavam como crianças normais.
Nem ter o que temer Bill.
~*~
– Droga, droga, droga. – Tom se alto xingava enquanto segurava restos do que poderiam ser, uma peça de cristal. – Tom idiota, ele vai querer te matar.
– Quem vai querer te matar? – perguntou Bill entrando em casa.
– Ninguém.
– O que está segurando?
– Conseguiu falar com a mulher lá? – mudou de assunto botando os restos dos cristais atrás das costas.
– Consegui e obvio que ela aceitou, mas o que você está escondendo Tom?
– Já disse que nada Bill.
– Me mostra o nada. Porque já percebi que esse nada me pertence.
– Então ta. Mais saiba que eu não fiz por mal. – Tom abriu as mãos e mostrou os restos de cristal.
– Meu, meu, meu! Meu cachorrinho. – sussurrou Bill pegando os cristais de Tom. – Coitado. Isso foi caro sabia?
– Sim eu sei. Depois te compro outro.
– Mais esse era especial.
– Deixa de viadagem Bill.
– Hunf.
A tarde passou devagar e chata. Após Tom sair de casa para jogar basquete com Georg, Gustav foi pentelhar um pouco a paciência de Bill.
Os dois fizeram croissant de chocolate e ficaram assistindo aos seriados da Universal.
– É verdade que você encontrou a garota que você ama?
– Tom te contou?
– Na verdade, ele disse isso pra explicar o porquê do estado dele no meio do filme.
– Ah, sim. Eu a encontrei, só que não sei nada dela.
– E como acha que vai encontrar ela de novo?
– Eu vou tentar fazer algumas coisas, mas quem vai me ajudar de verdade é o destino.
Depois daquelas palavras Bill se manteria confiante nisso. Assim como a verdade, o destino tarda. Mais não falha.
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