[Tom] Arrumei as coisas, pelo jeito a Jéssica ia ficar aqui em casa MESMO. Não ficar para sempre... Ia passar a noite aqui. Thomas foi deitar e ficou na dele. Jéss estava dormindo no quarto da Luise, tinha duas camas lá. E estava bem belo no meu quarto. Mas ai apareceu a pequena...
– Pai.
– Fala. – Dei espaço para que a mesma deitasse ao meu lado.
– Por que eu tenho que dormir com aquela mulher lá?
– Por que ela é sua mãe, e você a queria. Não queria?
– No começo sim, mas pra mim agora... Ela parece uma estranha. Pai, como você me deixa sozinha com uma estranha?
– Não fala assim. Pode dormir aqui, mas não fica falando essas coisas. – Imagina se a Jéss ouve isso. Não quero nem pensar.
– Obrigada, te amo. – Me deu um beijo.
Assisti um pouco de televisão, mas isso me cansou. Luise já havia dormido, menos mal.
[Jéss] Não acredito que a Luise pensa isso de mim. O que eu fiz? Credo! Sai da porta do quarto do Tom e voltei a me deitar. Tentei não chorar, e não chorei. Se a minha filha pensava isso de mim, era culpa minha e eu não iria dar uma de coitadinha agora! Não mesmo.
– Com licença... – Tom deu duas batidas na porta e entrou. – Tudo ok?
– Eu sou um monstro.
– Ah, não devia escutar atrás da porta. Embora isso seja a sua cara!
– É. – ME agarrei no travesseiro.
– Não a culpe, a Luh não é muito... Sensível com essas coisas.
– Eu não a culpo. Eu tenho a visão de que é tudo culpa minha. Eu fiz por onde, só estou pagando pelo meu erro. Se eles não querem que eu fique, eu tenho que entender.
– Ninguém falou isso.
– Mas Tom, nem precisava. A Luise me acha uma estranha, coisa que sou. E o Thomas nem chegou perto de mim. Eu me sinto uma intrusa... Não deveria ter voltado. Não deveria nem ter feito o que fiz com você. – Era tão ruim assumir as coisas. Mas eu sempre o fazia.
– Se lembra que antes de tudo eu sou seu amigo? – Verdade, o Tom era meu melhor amigo. Sim... Pode ser melhor amiga de um cara como ele.
– Sim. – Sussurrei.
– Então! Olha... O que você foi golpe baixo, mas você voltou não voltou? Mesmo que vá embora pela manhã. – Sentou-se ao meu lado e me abraçou.
– Me perdoa Tom. Eu não deveria ter feito isso com você.
– Ok, não tem problema. – Sério? Eu amo essa cara! Ele é o melhor amigo, ainda! – Quer comer algo?
– Às duas da manhã?
– Sim. Posso fazer... Brigadeiro de panela! – Ta de brinks...
– Sério!? Mesmo? Mesmo?
– Mesmo, Mesmo!
– Valeu! – Sequei meu rosto. Vamos descer.
[Thomas] Fui dormir sem o pessoal perceber. Não sei se a volta da minha mãe era algo legal. Ninguém merece! Acho incrível como ela volta assim. Ela não sabe como o pai sofreu? E volta sorridente e achando tudo muito engraçado. Falsa!
Depois que eu ouvi a conversa dela e do Tom, tentei entender seu lado. Não rolou.
[Tom] Não preciso ficar julgando a Jéss toda a hora. E como amigo dela, já havia percebido que ela estava mal. Senti pena para falar a verdade.
– Não em atrapalha, eu sei fazer. – Avisei.
– Mas está mexendo muito devagar! Mexe isso rápido!
– Para de me atrapalhar, que coisa! – Tentei tira-la de perto de mim.
– Ok. Vou ficar sentada aqui. – Puxou a cadeira e se sentou ao meu lado.
Quando terminei fomos para a sala assistir algum filme. Mas ela optou por ver as filmagens que eu tinha das crianças. Filmagens nossas enquanto ela estava fora. Uma parte do que ela perdeu. Era estranho como riamos e ela achava legal o jeito como eu cuidava das crianças.
Minha vida com as crianças foi difícil, mesmo! Mas com a ajuda do pessoal, todo o pessoal, nós tivemos a melhor família do mundo. Conseguimos sobreviver sem o projeto perfeito de mãe.
– Não queria ter perdido tudo isso. – Disse Jéss com a colher de chocolate na mão.
– Agora não adianta, só pode aproveitar a partir de agora.
– E você me aceita de volta?
FIM.
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