E o medo? Pairava sim sobre a cabeça dele.
Aproximou-se um pouco mais de Chris até que a mesma percebeu sua presença.
– Olha, eu estou tentando não ficar brava e você me aparece aqui?
– Posso falar com você?
– Sou toda ouvidos.
– Vai ficar na chuva? – tentou se acalmar.
– Vai falar ou não? – medo.
– Está bem. – Bill chegou mais perto. – Eu não fiz aquilo com a menina por mal. Ela realmente me assustou.
– Dá pra ver na sua cara que você não quer estar aqui.
– Quero sim.
– A é? Dá-me um motivo então. – esperou. Mas pensando bem, o que ele diria? “Eu estou aqui por você”, sinceramente ele poderia ganhar um belo tapa por isso. Na melhor das hipóteses se manteve calado. – Pra mim, essa resposta é ótima. – Chris se levantou e entrou no hospital.
Pois é Bill, parece que não são só nós, meros mortais, que temos problemas no amor, certo? Se até o mulherengo, preguiçoso e pentelho do Tom tinha se dado bem com o pessoal, por que ele não conseguiria? Estava mais do que na hora de fazer a coisa certa. Ou tentar.
Pegou um táxi e foi para casa. Tomou um banho quente e foi preparar algo para comer. Tinha que pensar em algo para fazer, não poderia ser tão lerdo como estava parecendo. Meine Gott, cadê o Bill – Homem Perfeito? Talvez ele estivesse oculto agora, ou simplesmente nunca houvesse existido. Não... Simplesmente estava inexperiente, ou talvez fora de uso no momento. Precisa aperfeiçoar. Bill pensava em um jeito de fazer isso, e a solução entrou bufando pela porta.
– Bill Kaulitz Listing Trümper Schäfer [Gente, eu só botei Trümper pra dar ênfase!], que porra foi aquela?¹
– Meu Deus Tom, não dá pra me chamar pelo nome? É o mesmo que o seu. Kaulitz, pequeno e simples.
– Não. Eu tive que botar os outros nomes para dar mais ênfase na minha raiva.
– Raiva de quê?
– Você saiu sem avisar e o David está querendo te matar! Te matar não, nos matar!
– Explica.
– O líder da banda Tokio Hotel, além de quase machucar uma criança no Hospital Municipal, vai embora SEM avisar ninguém. E leva o maior toco da “ex-nova” namorada.
– Cala a boca Tom.
– Olha, você merece uns tapas Bill. Merece muito mais.
– Sério Tom! Fica quieto. Eu preciso da sua ajuda, não do seu questionamento.
Tom avaliava o irmão gêmeo de cabeça baixa e sabia que ele não estava bem. Só que com todo aquele filme de drama que Bill havia feito, não tinha como não ajudá-lo.
– Com o que você quer minha ajuda?
– Me diz o que fazer, eu já estraguei tudo mesmo. – socou a almofada.
– Bom, faz o típico. Dá rosas pra ela.
– Qual é Tom!
– Nem vem, eu vi isso em um filme.
– Diz outra coisa.
– Chega na casa dela do nada e diz que só sai de lá quando ela te perdoar. – sorriu.
– Tom...
– Está bem! Então porque não vai amanhã no hospital?
– Pra quê?
– Antes vai ao supermercado e compra algumas coisas do tipo, bolacha, bala, pirulito e vai lá. Brinca com as crianças e tenta se divertir.
– O que isso vai me ajudar com a Chris?
– Bill seu otário. Ela ama aquelas crianças, até eu sei disso. Pelo amor de Deus...
– Então, isso me parece razoável. Obrigado pelos conselhos.
– Estou aqui pra isso.
~*~
Em um lado da cidade mais afastado da casa dos Kaulitz...
– Essa música parece legal, como se chama?
– Chris, você não sabe? - perguntou Juliane incrédula.
– Não. Por que eu deveria?
– É Break Away, da Tokio Hotel. Os caras estavam no hospital hoje cedo.
Bruscamente a irmã mais velha tira os fones de ouvido e se deita na cama.
– Não se deixe levar pela imagem daqueles lá. – adverte.
– Do que está falando? – Juliane pareceu não entender.
– O vocalista é extremamente egoísta. O irmão dele ainda é mais simpático.
– Não, você deve estar trocando. Com certeza, Bill é mais legal que o Tom em termos de simpatia.
– Não esquenta Juh, pouco me importa. Agora boa noite.
– Se você diz... Boa Noite.
A luz foi desligada e a mente aberta para novos pensamentos. Qual é Chris, não se faça de difícil, passou a noite inteira rebobinando os versos da música não foi?Muitos sabem que foi isso que aconteceu.
I feel so claustrophobic here
Watch out, now you better disappear
You can't make me stay
I'll break away
Break Away
O que era confuso afinal, depois de tudo aquilo que aconteceu, o que levaria sua mente a querer lembrar?
Deitado encarando o teto, Bill pensava no que Tom havia lhe dito. Deveria ser tudo um sentimento verdadeiro, então ele tinha que fazer direito. Foram tantos anos dando conselhos para o irmão e agora você o pede conselhos? Nada mal.
Enfim adormeceram-se todos. E mesmo sabem que seria um dia como qualquer outro. Nunca duvide do amanhã, ele sempre pode nos surpreender.
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