Quinta-feira parece que não há nada de novo. O Tom acordou melhor e não me xingou por causa de ontem. Para falar a verdade, nosso papo foi interessante.
– Bill, você acha que a Carol gosta de mim?
– Acho.
– Então porque ela falou aquelas coisas?
– Tom, porque a garota ia mentir para você? Eu não falo tudo na sua cara? Falo porque te amo, ela deve fazer o mesmo.
– Não sei. Infelizmente não posso ficar com ela.
– por que não?
– Eu não sei o que é ser um namorado. – O Tom é muito bom ator!
– Sabe sim! Vai dizer que não se lembra da sua época como comprometido?
– Não! Foi a muito tempo. E nem era namoro de verdade.
Ok, foi quando a gente tinha uns dez anos, o Tom ficou namorado de uma menina que era minha colega no teatro. Ela era legal e foi a única que realmente ligou para ele. Não teve nenhum fim trágico, se é isso que estão pensando. Ela simplesmente acabou com o Tom. Mas não foi um: “Tom não quero mais ser sua namorada”. Foi um: “ Desculpa, não podemos continuar com isso. Eu tenho dez anos, você também. Mas Tom, você é muito idiota. Muito bobinho! Se eu quisesse um garoto bobinho, pegava outro qualquer. Me desculpa, mas você não serve pra mim”. É... Agora você entende. Ai, depois deste fora histórico, o Tom quis provar a si mesmo que era um cara muito pegador e tudo mais. Aí ele virou isso que é agora, um idiota! Mudou muito, não é?
– Acho que você deveria pensar. A Carol, pelo o que você me falou, parece ser uma mulher e não uma garota. – Também, para falar com o Tom daquele jeito.
– Ela é. Isso é chato, mas é verdade. E a louca daquela menina que virou sua amiga?
– A Lara?
– Essa mesma.
– Nem sei dela. Ontem reclamou que eu liguei tarde e não deixei ela dormir.
– Eu te xingaria! Você nem conhece ela e se acha no direito de ficar enchendo o saco da garota. Não viaja Bill. Para de ligar pra ela. – Eu nem tinha pensado em uma resposta para dar a ele. Mas meu celular começou a tocar, e eu até sabia quem era.
– Pois não?
– Alô? Bill?
– Fale.
– Estou te devendo atenção, lembra? Tenho vinte minutos, se quiser.
Tom começou a rir, mas ficou sério e balançou a cabeça negativamente.
– Ok. Aceito a atenção.
– Então... O que queria falar?
– Estou com uma pulga atrás da orelha. Queria te fazer uma pergunta. – Fui andando escada a cima. Entrei no meu quarto e me deitei. Já que a Lara ficou esperando, eu prossegui. – Aquelas coisas que você falou para mim no celular, quando foi engano... Eram para quem?
– Ah, isso. Para o meu ex. Tipo, eu já tinha terminado com ele faz um tempo, mas igual nós éramos muito amigos, e ai ele do nada sumiu. Tipo sumiu mesmo.
– Não ligou para ele?
– Sim. Mas ninguém atende. Nem na casa dele, acho que aconteceu algo e não querem me contar. Talvez ele esteja namorando, sei lá. Mas isso não é problema. Só não queria perder um amigo.
– Tem muitos amigos?
– Quase toda a minha escola. E o pessoal da internet e uns amigos aqui perto de casa. Sou bem sociável.
– Um dia a gente poderia sair, não poderia? Os meninos meio que cansaram de mim, e eu não tenho muitos amigos para essas coisas.
– Mano, eu não entendo isso. Tu me conheceste por uma ligação errada. Agora quer que eu saía contigo? Pirou?
– Não. Pensei que você fosse, sei lá... Minha amiga.
– Não sei. É que eu não acho uma boa idéia você sair com alguém que não conhece. Falo isso por você, não por mim.
– Isso em uma desculpa para recusar me conhecer? – Cara, como alguém consegue fazer isso? Normalmente as pessoas querem me conhecer, e não fugir de mim!
– Não! Caramba... Ok! Eu saio com você. Mas não vou ir a lugar algum.
– Não posso ir a sua escola. Tem muita menina lá.
– Quer ir onde tem meninos?
– Não! É que elas me conhecem, e vai dar bolo. Entendeu?
– Ah, ok. Então eu vou... Eu te encontro na biblioteca Rouks, pode ser? Ninguém vai lá. Acho que não vão te procurar lá.
– Amanhã então?
– Sim. Às duas da tarde. Tenho que desligar. Tchau. – Ela sempre faz isso!
Agora que tinha um compromisso para sexta-feira, poderia não em sentir tão no tédio. Desci e o Tom havia saído. Foi comprar comida para os cachorros.
A tarde vou sair com os G’s. Consegui alugar eles por um tempo. Depois nos encontraríamos com o Tom e iríamos a uma balada. Só para passar o Tom. Diversão nunca é demais.
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