quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Look At Me - Capitulo Dois


De manhã cedo eu acordei muito bem disposto. Consegui dormir mais de oito horas, sendo que em dias normais eu durmo quatro horas. É estranho acordar e não ter que se arrumar correndo ou, não estar dentro de um avião. Estar em casa é muito bom! Hoje é terça, o que se faz em uma terça-feira? Nada!
– Que cara de otário é essa? – Tom adora cortar minha linha de pensamentos. Que inútil.
– A mesma que a sua, suponho. – Coisa boa de ter um irmão igual a você.
– Humn... E eu estou com que cara?
– Ah, chega! Estou feliz, por ter um dia todo sem compromissos, mas não sei o que fazer em um dia que não tem nada para fazer.
– Faz o que você sabe de melhor. – Deu de ombros e foi até a geladeira.
– Cantar?
– Não. Eu disse o que você faz de melhor. Não o que você tenta fazer. – Começou a rir de mim como se fosse uma piada muito boa.
– Há, olha quem fala. O Slash alemão. Sabe o que eu vou fazer? Compras! Vou ligar para a Natalie e vou pedir para ela ir comigo. – Me levantei da mesa e fui para o quarto.
Infelizmente a minha querida amiga estava viajando. Incrível como eu não fui comunicado disso antes! Pois bem, liguei para outros amigos, até mesmo para o Gustav e o Georg. Mas ninguém parece fazer compras em uma terça-feira. Vou sozinho.
Tom ficou em casa comendo e vendo televisão. Com certeza faria isso até de noite, quando certamente iria sair e... Nós sabemos. Escolhi um shopping mais afastado e grande, lá tinha coisas caras. Então, normalmente tinha gente famosa. Comprei umas bobagens para passar o tempo, dei alguns autógrafos, tirei fotos, lanchei bem rápido e dei mais uma volta no shopping. Fiquei com uma duvida enorme de que calça levar. Então eu liguei para o Tom e pedi ajuda, mas ele nem respondeu. Liguei para a Nathi, mas ela estava sem celular. Então, já que eu tinha o numero de uma fã, por que não perguntar? Sim, eu vou fazer isso.
Aquela Lara acha que me engana, mas eu conheço muitas meninas que já fizeram cada coisas pelos caras da banda. Eu estou com doutorado já.
– Alô? – Atendeu com a voz baixa.
– Lara?
– Sim, quem fala?
– O Bill.
– Que Bill? – Por que todas as mulheres fazem isso?
– O que você ligou enganado, lembra? – Claro que lembra, isso é uma coisa que todas as mulheres fazem. E admito ser chato!
Ela ficou alguns segundos sem falar nada e depois respondeu.
– Ah! Eu até havia me esquecido. Como eu ia acreditar que tu me ligarias? Não havia me dito que eu era tua fã? Não quero que pense isso. Não tem porque continuar me ligando. – Nossa.
– Hey, calma.
– Estou calma. Na verdade, estou ocupada. – Ela deve estar na rua, tem um barulho de carro insuportável no telefone.
– Ah desculpa.
– Por que me ligou? Sério, aquele negócio de saber sobre você... Qualquer pessoa pode fazer aquilo, mas tem que ter treino. Eu treinei muito, porque nunca se sabe quando vamos precisar saber mais que os outros.
– Ta, mas eu não liguei pra isso. Liguei para perguntar uma coisa. – Caramba, me deixa falar, não quero saber como você sabe coisas sobre mim! Que saco a menina não cala a boca.
– Então pergunte.
– Já que você me conhece. E sabe como me visto. Eu compro uma calça cinza com detalhes pratas ou preta com detalhes brancos?
– Hã!? Como vou saber?
– Você não tem várias fotos minhas? Tem que saber!
– Cara, eu já te disse que não te conheço! Caramba, eu não sou tua fã. Não sei qual é o teu estilo, saber que você fuma não é saber quem tu és. EU NÃO TE CONHEÇO! Para de me ligar, você parece um maluco. É sério.
– Ok! Pela ultima vez, você não em conhece? – A garota está de TPM, porque ninguém é assim. Sério.
– Eu juro pela minha mãe mortinha. Não te conheço. Juro pelas suas cordas vocais que não te conheço. Juro qualquer coisa, agora me deixa em paz! – Minhas cordas não!
– Se eu perder a voz a culpa é sua.
– Ah vai te...
– OK! Desculpa, acredito em você.
– Amém! Então... Não te conheço. Mas acho melhor a calça cinza. Agora tenho que ir. Tchau! – Desligou.
Comprei a calça cinza então. Mas fiquei com medo da minha voz sumir de repente [ para mim, essa palavra está errada]. É realmente estranho isso, como pode a menina não me conhecer? Fala sério, até quem não é fã de Tokio Hotel me conhece. Nem que seja só para me chamar de gay, mas pelo menos conhecem! O que ela é? Um tipo de E.T?
Cheguei em casa por volta das cinco horas e o Tom estava se arrumando.
– Como foi de compras?
– Sabe aquela garota que me ligou ontem? Ela não é fã da banda anda. Realmente foi um engano. – Decepcionou.
– Como você sabe?
– Eu liguei para ela, porque queria uma dica de calça. A garota surtou de brava porque eu fiquei dizendo que ela tinha que saber por que ela era uma fã. Ai ela jurou pelas minhas cordas vocais que não era fã, então...
– Então tu vais perder a voz. – Urght! Irmãos...
– Engraçadinho, aonde vai?
– Comer.
– Há! Posso ir junto?
– Bill. Comer... Mulher! – Voltou a rir ainda mais alto. – Não que eu esteja dizendo que você não come. Mas bem... Se quiser, pode ir.
– Não. Eu quero comer comida sabe? Algo que depois não me traga nada além de uma indisposição;
– Que papo de virgem. – Pegou o casaco. – Vou nessa maninha virgenzinha de quinze anos.
– Seu viado. – Dei um soco no braço dele. – O virgem aqui é melhor que você.
– Ok Bill, vai nessa. Se mentir fosse crime, tu pegavas perpétua! – Bateu a porta ao sair.
Uma coisa: Eu e o Tom não somos tão educados quando estamos sozinhos. As pessoas não percebem, mas somos mal educados.
Larguei as compras no sofá da sala, preparei uma pizza e liguei a televisão. Enquanto a pizza não ficava pronta, peguei um livro pra ler. Não sou o cara mais leitor do mundo, mas quando eu tenho tempo [e eu não tenho], gosto de ler.
Celular, infeliz, para de tocar capeta!
Não, eu não sou o tipo de pessoa que fica feliz por alguém estar ligando.
– Pois não?
– Ok. Eu não deveria ter sido tão explosiva. – Era a maluca.
– Ah, não deveria mesmo.
– Eu perguntei para a minha ex melhor amiga se ela te conhecia. E caso teu nome seja Bill Kaulitz, ela te conhece sim. – Começou.
– Não passou meu numero para ela, não é?
– Não. Por que você acha que ela é minha ex melhor amiga?
– Ela brigou com você, porque você não quis dar o meu numero?
– Obvio. Mas não quero falar sobre isso. Então, a calça ficou boa? – Mulheres, ainda bem que eu não nasci uma.
– Não sei, ainda não provei.
– Ah. Então... Eu vou desligar. Tenho que, fazer qualquer outra coisa...
– Ah não! Minha pizza ainda não ficou pronta. Distraia-me!
– Não tenho nada a ver com o seu tédio.
– Mas você é a única pessoa disponível agora. Então fala algo!
– Não é certo falar com pessoas que você não conhece pelo celular. Imagina se eu for uma... Como se diz? Uma exploradora, ou uma pessoa que quer te passar um golpe. – Não é que ela está certa? Foda-se.
– Então, fala sobre você!
– Não, porque você pode ser o maluco! – Bufei. – Ok, eu falo. Mas não tem muita coisa não. O meu nome você já sabe. É Lara. Eu estudo ainda, e estou no terceiro ano do ensino médio. Não sou legal, não gosto de falar com quem eu não conheço, e isso é uma indireta. Sei muito sobre as pessoas, e durante minha infância até agora, eu treino muito bem meus sentidos. Por isso que eu consigo captar as coisas. Sabe os cinco sentidos? Visão, audição, olfato, tato e paladar? Pois bem, normalmente as pessoas só sabem o necessário. Mas eu quis saber mais que o necessário. Então eu consegui chegar a isso. Não sou uma mutante não. Isso serve?
– Nossa. Acho que serve. Eu realmente pensei que você era uma mutante, ou no mínimo maluca e que estava no telhado da minha casa. – Brinquei.
– Vai nessa. Tenho medo de altura. Ah, e outra coisa... Acho que ouvi o apito do seu microondas.
– Sério?! – Corri para a cozinha. Ela estava certa. – Sua anormal!
– Ah, olha o respeito.
– Você me passa medo.
– O maluco do telefone aqui é você. – Aham, vai nessa.

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