Depois de pegar seu carro de volta no estacionamento, Bill dirigiu até a estação de trem onde havia pegado o mesmo para ir a lugar algum. Deixou seu carro em outro estacionamento mais próximo, desta vez ele voltaria para pegá-lo. Certificou-se de que ninguém o reconheceria, mas era impossível estar certo disso enquanto algumas pessoas o encarava. Não era para menos, ele estava com uma calça de couro preta e uma jaqueta esquisita. Quem não olharia? Eu olharia. Caminhou até a rampa de acesso aos trens, antes passou no guichê para pegar a passagem e seguir em frente. Dentro do trem, sentou-se e esperou impaciente. Olhava o relógio constantemente para saber quanto tempo ainda tinha até as duas da tarde que seria o horário que ele encontrou a menina. O trem parou e várias pessoas desceram, pareciam formigas fugindo de uma inundação. Uma dessas pessoas, no caso uma senhora de mais ou menos cinquenta anos, com duas caixas na mão, bateu em Bill deixando as duas caixas caírem no chão. No mesmo instante, se abaixou para juntar.
– Nossa menino, eu nem te vi, aí!
– Me perdoe, eu ajudo. – Bill se agachou para juntar uma das caixas. – Isso está pesado, como a senhora conseguiu carregar?
– Foi a necessidade. Pode alcança agora.
Bill pensou por alguns segundos, e mesmo estando ansioso para achar a menina de seus sonhos de novo, abriu mão por uma boa causa. Afinal, essa menina entenderia. E o destino há de ajudar.
– Eu levo até onde a senhora vai. – Sorriu.
– Muito Obrigada. Qual é o seu nome?
– Ã... é Bill.
– Então, muito obrigada Bill.
– De nada.
Como a mulher havia dito, não era muito longe da estação de trem. Os dois andaram algumas quadras. Bill se mantinha em silêncio enquanto a mulher contava algumas histórias,e o que a levava até ali. No máximo Bill assentia com a cabeça, ou soltava um “humn, sei”.
– Não paro de falar, né garoto. Deve estar me achando uma louca, não?
– Não, claro que não.
– Me diga, onde mora? Aqui não é um lugar muito chique e você está bem vestido.
– Ah. – sorriu. – Eu não sou daqui de perto. E, sou só um pouco vaidoso.
– É famoso? – perguntou ela. Olhou para a cara de sem jeito que Bill fazia e deduziu sozinha. – Não se preocupe, não tenho porque contar a alguém.
– Obrigado. Uma coisa, eu ainda não perguntei o nome da senhora.
– Julia. Julia Blocke. – parou em frente a um grande portão que sustentava uma placa dizendo “Hospital Municipal Infantil / Orfanato”. – E eu trabalho aqui.
– Humn... Importa-se se eu deixar na recepção? Eu tenho um tanto de receio de hospitais.
– Não tem problema algum. Você veio até aqui, sem ao menos me conhecer. Realmente, obrigada Bill. – largou as caixas e lhe deu um aperto de mão.
– Por que as caixas?- perguntou. – Sou curioso.
– Ér... Estamos passando por problemas. Isso é tudo doação.
– Ah, qualquer coisa que eu puder ajudar, eu ajudo.
– Tudo bem. Sabe voltar?
– Acho que sei.
– Posso pedir para alguém daqui acompanhar você.
– Não, eu sei voltar. – começou a se afastar. – Tenha uma boa tarde.
Bill andou um pouco mais e pegou um táxi até a estação de trem. Ele não sabia voltar a pé. Fez todo o trajeto de trem, buscou seu carro no estacionamento e dirigiu até em casa. Ao parar o carro na garagem, percebeu que havia outro carro alem do carro do Tom. E não era o carro de nenhum dos G’s.
Entrou em casa e deu de cara com visitas (nem tão visitas)
– Olá.
– Oi, Bill. – disse David.
– O que traz meu manager aqui?
– Noticias...
– Boas ou ruins?
– Desafio. Pequeno desafio.
A sala era ocupada por Tom, Gustav e Georg. Bill se juntou a eles no sofá.
O assunto era mais uma campanha financiada pelos Tokio Hotel para o bem comum. Não era tão novidade para eles, já que por conta própria, adoravam ajudar as entidades e tudo mais.
– O que tem em mente?
– Pode ser o lar de Idosos.
– Isso de novo não. – Opinou Georg.
– Você tem até... Amanha às seis da tarde. – sorriu David.
– Amanhã!?
– É. Georg, Gustav. Vocês vão embora comigo?
– Sim. Tchau Bill.
– Tchau Rapazes.
Após a saída dos garotos, Bill e Tom discutiram sobre um lugar para onde poderiam doar o dinheiro proposto por David, mas depois de alguns minutos o assunto mudou.
– Foi atrás da garota não foi? – perguntou Tom
– Fui.
– E ai?
– Eu esbarrei em uma senhora e ajudei-a com umas caixas. Ai esse negócio da menina ficou para amanhã. – fez cara de decepção.
– Que senhora? Qualquer uma assim?
– O nome dela é Julia. Muito simpática.
– Olha Bill, você tem que ter fumado algo, porque senão... Caralho você perguntou o nome da velha e não teve cérebro para perguntar o da menina?
– Ai, nem me lembra disso.
– E já que não foi atrás da garota. Ajudou a velha a levar as caixas aonde?
– Mais respeito Tom! – advertiu. – Levei até um hospital de crianças, acho que era um orfanato também. Não entrei, você sabe que eu não consigo olhar aquelas crianças doentes. E pior, aquilo não estava em bom estado.
Tom ficou em silêncio encarando o irmão com uma cara de “sem sinal”. Depois se levantou e pegou o telefone.
– Vai ligar pra quem?
– Pra mãe. Com certeza você não é meu irmão.
Bill puxou o telefone e desligou.
– Como você é engraçado Tom, nossa como é.
– É que você é muito parado Bill. David saiu daqui e nos deu uma tarefa.
– E?
– Em que estado estava o lugar que você foi?
– Ruim... Bem ruim.
Tom levantou as sobrancelhas esperando as deduções demoradas de Bill.
– Ah. Saquei.
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